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Roteiro – 3 dias em Roma

10 de novembro de 2017

Pra começar esse post decidi recolher algumas informações interessantes para visitar a “Cidade Eterna”… começando com o porquê que ela é chamada assim. Na Roma Antiga, seus habitantes acreditavam que a cidade continuaria existindo independente do que acontecesse com o mundo ou dos impérios que pudessem vir a surgir ou entrar em colapso. Foi o caso do Império Romano, que entrou em decadência mas a cidade continua viva (e muito!)

A origem de Roma ainda é desconhecida, apesar das diversas teorias que se baseiam nas muitas descobertas arqueológicas encontradas em Roma. Por isso, o início da história é meio que uma lenda e não necessariamente uma história real. E tudo começa no Palatino… onde (reza a lenda) os gêmeos Rômulo e Remo foram amamentados pela loba. O lugar, que faz parte de uma das sete colinas de Roma, era agradável para morar e foi onde os imperadores construíram as suas casas. Ao lado do Palatino está o Fórum Romano, que era onde a cidade realmente existia. Era o centro político e comercial mas, com o tempo, o espaço foi se tornando pequeno e a cidade acabou expandindo.

Bom… vamos ao roteiro!

DIA 1: PRAÇAS E PANTEÃO

1. Piazza del Popolo

Começamos o dia na Piazza del Popolo (ou em bom português Praça do Povo). Ela fica no início da Via Flaminia e, nos tempos do Império, era a entrada da cidade. Hoje ela ainda é um cruzamento importante (não tão grande quanto à Piazza Venezia, como vocês vão perceber).

No centro da praça tem um obelisco egípcio que é dedicado a Ramsés II, conhecido como Obelisco Flaminio. Anteriormente localizado no Circo Massimo até ser levado, em 1589, para a Piazza del Popolo. Além da Igreja de Santa Maria del Popolo, onde se pode ver duas obras de Caravaggio, Rafael Sanzio e tantos outros, na praça estão também as igrejas (praticamente idênticas) Santa Maria dei Miracoli e Santa Maria in Montesanto.

2. Piazza di Spagna

Siga pela Via del Babuino até a Piazza di Spagna, uma das praças mais conhecidas de Roma. A Piazza está situada em uma das melhores regiões de Roma: a Via dei Condotti, a Via Frattina e a Via del Babuino (de onde você veio). As escadas da praça foram construídas para conectar a praça com a Igreja de Trinità dei Monti. É um ótimo local para se sentar um pouco nos degraus e fazer aquela pausa maravilhosa antes de continuarmos o passeio… isso se você conseguir espaço para sentar!

3. Panteão

Agora vá até o Panteão, construção mais conservada da Roma Antiga (e um dos meus lugares favoritos de Roma). O Panteão foi construído para ser um templo de adoração aos deuses da Roma Antiga; mais tarde com a transição para o cristianismo, passou a abrigar uma igreja católica romana. O que mais surpreende nos termos arquitetônicos são as suas medidas: o edifício circular tem exatamente o mesmo diâmetro da altura (43,3m). A cúpula, com o mesmo diâmetro, é maior que a da Basílica de São Pedro (porém a cúpula da Basílica é infinitamente mais alta, tendo 132m de altura). No centro da cúpula se abre um óculo de quase 9m de diâmetro, que permite que a luz ilumine (ou a chuva molhe) todo o edifício. No interior do Panteão estão as tumbas de diversos reis da Itália e diversas obras de arte. O personagem mais conhecido que está lá no Panteão é, sem dúvida, o pintor e arquiteto renascentista Rafael Sanzio.

Se você ainda não almoçou, na volta do Panteão tem diversos restaurantes muito bons! Um deles é o Taverna del Seminario, que tem um menu turístico delicioso por €15 (incluso: entrada, dois pratos e sobremesa). Mas se você já almoçou, vá ao Antigua Tazzadoro La Casa del Caffé al Pantheon e além de tomar um dos melhores cafés da Itália, compre um pacote (ou vários) de café e leve pra casa (e prepare na sua Moka). Se estiver muito calor, caminhe até a Via degli Uffici del Vicario, 40 e coma uma dos melhores sorvetes de Roma, na Giolitti!

4. Piazza Navona

Nossa próxima parada é a Piazza Navona, onde a maior atração são as três fontes: Fontana dei Quattro Fiumi, construída por Bernini em 1651, tem quatro estátuas que representam os quatro rios mais importantes da época (Nilo, Danúbio, Ganges e Rio da Prata); Fontana del Moro, criada por Giacomo della Porta e aperfeiçoada pelo Bernini (que depois incluiu os golfinhos), ela está localizada na parte sul da praça; e Fontana del Nettuno que também foi criada pelo Giacomo della Porta mas ficou abandonada até 1873, quando foi finalizada por Zappalà e Della Bitta. Curiosidade: até meados do século XIX, o deságue das três fontes era fechado todos os verões e a parte central da praça era inundada para se transformar no “Lago da Piazza Navona”.

5. Fontana di Trevi

A última parada do primeiro dia é a tão esperada Fontana di Trevi. Com 20 metros de largura e 26 de altura, além de ser a maior é a fonte mais bonita da cidade. O nome de Trevi vem de Tre Vie (três vias), já que a fonte era o ponto de encontro de três ruas. O mito de jogar moedas na água surgiu com o filme “A Fonte dos Desejos” em 1954 e dizia o seguinte:

Se você jogar uma moeda: voltará a Roma;
Se jogar duas moedas: encontrará o amor em Roma;
Se jogar três moedas: irá se casar com a pessoa que conheceu.
.

Ah, mas pra isso funcionar precisa jogar a moeda com a mão direita sobre o ombro esquerdo! A cada ano é retirado aproximadamente um milhão de euros da fonte e, desde 2007, esse dinheiro é doado para instituições beneficentes. Agora, você pode terminar o dia tomando um Aperol Spritz ou tomando um gelato no San Crispino (Via della Panetteria, 42) e admirar a fonte enquanto anoitece. Depois pode partir pro jantar e eu tenho o lugar perfeito “Pane e Salame” (Via Santa Maria in Via, 19), lá você pode comer uma tábua de frios (tagliere), que é uma delícia!

DIA 2: PALATINO, FORO ROMANO E COLISEU

6. Foro Romano e Palatino

O segundo dia começa no Palatino e Foro Romano, que ficam em frente ao Coliseu. Aconselho começar pelo Foro Romano ou Palatino, pois a fila para comprar os ingressos é bem menor que a do Coliseu, caso você não tenha comprado o ingresso online (é melhor não arriscar por causa do tempo). O ingresso sai por €13 e dá acesso aos três lugares (o tempo para a visita é de dois dias). A entrada do Foro e do Palatino é no mesmo lugar. Se você se interessar, eu recomendo e muito um guia turístico, pois sem ele você vai ver várias ruínas e ficar sem entender nada (foi o que aconteceu comigo na minha primeira vez lá).

Acredito que esse seja um passeio de um dia inteiro, caso você deseje aproveitar cada detalhe. Se não tiver muito tempo, vá direto ao Coliseu!

7. Altare della Patria e Musei Capitolini

Depois de lá, se dirija ao Monumento Nacional a Vittorio Emanuele II e para o Monte Capitolino. Il Vittoriano ou Altare della Patria é muito criticado pelos romanos porque além de destoar do restante das construções em sua volta, foi preciso que uma parte do Foro Romano fosse destruído para que o monumento fosse desenvolvido. Ele se localiza em frente à Piazza Venezia, onde se encontra um cruzamento central bastante perigoso, tome cuidado para atravessar! Lá no Monumento existe um elevador panorâmico para subir láááá no alto e ver toda Roma de cima! No Monte Capitolino, tem os Museus Capitolinos, onde se encontra a estátua (real oficial) da Loba e dos gêmeos Rômulo e Remo e várias outras obras que contam a história de Roma. Curiosidade: a principal escada que dá acesso ao monte foi projetada por Michelangelo.

8. Basílica de Santa Maria em Trastevere

Já que o nosso próximo ponto é mais longe e pegue um tram (bonde elétrico) na Piazza Venezia, desça na Trastevere Mastai e caminhe até a Basílica de Santa Maria in Trastevere. A Basílica foi o primeiro lugar de culto do cristianismo e começou a ser construída em 340 d.C.. Os mosaicos do século XII são lindos e o mais famoso é o que representa a morte da Virgem Maria de Pedro Cavallini, se encontra bem ao centro da meia cúpula. Aproveite que você está em Trastevere (bairro mais badalado de Roma) e ache um bar na Via della Lungaretta e fique por lá!

DIA 3: VATICANO

9. Basílica de São Pedro

A Basílica de São Pedro é o templo mais importante e mais visitado do catolicismo. Foi construída entre 1506 e 1626, tendo seu estilo predominantemente renascentista e barroco. A Basílica tem 186 metros de comprimento, sua fachada tem 114 metros de largura e 47 metros de altura. Seu nome é em homenagem ao primeiro papa da Igreja Católica, São Pedro, e seu corpo está enterrado lá. A cúpula da Basílica de São Pedro foi iniciada por um projeto de Michelangelo. Além da cúpula, Michelangelo esculpiu a Pietà que está na entrada da Basílica na sua direita.

Assim que você chegar na Praça São Pedro, verá uma fila gigante e ela é basicamente a fila para passar pelo detector de metais antes de entrar na Basílica. Para subir na cúpula, você entra numa fila diferente dessa gigantesca. Se quiser, pode pagar 8 euros e subir 551 degraus ou pagar 10 euros, pegar um elevador e subir 320 degraus. Dica: tente ir o mais cedo possível e evite filas! A cúpula fica aberta das 8h às 17h, mas só pode subir até as 16h. Quando sair, cuide se vai acontecer a Troca da Guarda Suíça que é responsável pela segurança do Vaticano e do Papa desde 1506. O traje da guarda também foi desenhado pelo Michelangelo.

Basílica de São Pedro

10. Musei Vaticani

O que dizer sobre os Museus Vaticanos? Acho que o mais importante é dar as dicas para se preparar para o passeio, pois essa é a parte mais importante… pelo menos assim, você vai conseguir aproveitar tudo ao máximo enquanto estiver lá. Além das dicas, vou falar um pouquinho do que você vai encontrar lá dentro.

É chamado de Museus pois são vários museus conglomerados em um só. Foi iniciado pelo Papa Júlio II em 1506 e até hoje ainda está sendo atualizado. Dentro dos museus, você vai encontrar uma grande coleção de arte e peças reunidas ao longo do tempo. Raffaello, Leonardo da Vinci e Caravaggio são alguns dos grandes artistas que você encontra exposto na Pinacoteca. Ainda tem a Galeria dos Mapas que você não sabe se olha para o teto ou para a parede, você realmente fica doido! E a Capela Sistina, é claro, que eu não preciso nem comentar né? Michelangelo! E quando você acha que não vai encontrar mais nada, na saída ainda tem a famosa escada espiral de Giuseppe Momo.

Vamos às dicas?

  1. Compre bem antecipadamente os ingressos! As filas são gigantes e o horário é marcado! Os ingressos você encontra aqui: www.museivaticani.va Clique aqui para saber os dias que abrem os museus, que a entrada é gratuita e que abrem à noite. Se você puder ir à noite, recomendo muito! Foi o dia que mais aproveitei, porque é praticamente vazio!
  2. Como chegar lá? Pois é… os museus não são na Praça São Pedro. Dá uma olhada nesse mapa:

3. Pegue um áudio-guia! Tem em português e o aluguel é mais ou menos 7 euros. Lá você vai ganhar um mapa que tem dois trajetos: um curto e um mais longo… obviamente recomendo ir pelo mais longo, se não você vai perder os afrescos de Raffaello.

4. Reserve 3 ou 4 horas para a visita nos museus, o lugar é gigante!

5. É verão? Vista-se adequadamente pois os Museus Vaticanos pertencem à Igreja Católica… é proibido entrar de bermuda, short, mini saia, ou seja: tudo que for acima do joelho e que mostre os ombros!

6. Existe uma praça de alimentação lá dentro que é ótima, caso você fique com fome depois de taaaaanta caminhada!

Escada de Giuseppe Momo

11. Castel Sant’Angelo

E por último, siga pela Via della Conciliazione em direção ao Rio Tibre e você verá um castelo… você pode só olhar ou até mesmo entrar no Castel Sant’Angelo. Se você estiver no primeiro domingo do mês por lá, deixe para ir nesse dia – porque é de graça! Não que não valha a pena entrar, mas não tem láááá grandes coisas.

A construção do castelo iniciou por conta de ordens do imperador Adriano no ano 135, que pretendia utilizá-lo como mausoléu para ele e sua família. A construção terminou 4 anos depois e acabou se tornando em um edifício militar. Em 590, a epidemia da peste negra devastou a cidade e o Papa Gregório I teve uma visão de Arcanjo São Miguel no topo do castelo. Assim, anunciou o fim da epidemia e, como lembrança da aparição, o edifício foi coroado pela estátua de um anjo. Em 1277 foi construído um corredor de mais ou menos 800 metros, conectando a Cidade do Vaticano ao castelo, para que o Papa pudesse escapar em casos de perigo.

Já fiz algumas visitas ao castelo e admito que não tem muita coisa pra ver dentro dele, mas conforme você vai subindo, vá procurando por janelas e observe a vista pro lado de fora! Quando você chegar lá em cima, tem um café e umas mesas no lado de fora que você pode ficar observando a vista e é realmente lindo!

Vista do Vaticano pela janela do Castel Sant'Angelo

DICAS EXTRAS

  • Como pedir café na Itália? Acho que eu deveria fazer um post inteiro sobre isso, porque é uma coisa bem séria lá, se prepare! Primeiro passo, o mais importante, nunca peça um espresso, o certo é un caffè. Caffè lungo é o nosso café normal. Tome al balcone, além de mais barato é o jeito típico do italiano!
  • Água: compre uma garrafinha e use-a sempre! Roma é repleta de fontes, não tem necessidade de comprar água.
  • Agradeça sempre em italiano: grazie (obrigada), grazie mille (muito obrigada). Ah, e todo mundo vai falar prego pra tudo (basicamente é uma maneira do italiano ser educado contigo).
  • Café da manhã: é sempre doce! Peça: un cornetto alla crema e un cappuccino e me agradeça depois.
  • Comida é coisa séria por lá (assim como o café), portanto você pode pedir uma dica do chef sobre algum prato turístico. As massas típicas de Roma são: carbonara, amatriciana, griccia e cacio e pepe.
  • Existe uma ordem na refeição a ser seguida (ou não):
    • Antipasti: é a nossa famosa entrada e pode ser pães, prosciutto e formaggio (presunto de Parma e queijo) ou bruschetta.
    • Primo piatto: é a massa. Dificilmente você vai encontrar risotto nos restaurantes, a não ser que seja um restaurante bem turístico ou especializado em risotto.
    • Secondo piatto: é a carne e pode ser servido com um contorno, que nada mais é que acompanhamento.
    • Dolce: sobremesa.
    • Digestivo: café, limoncello, grappa…
  • Lojas: as de bairro normalmente fecham das 12h às 15h, as grandes e turísticas ficam abertas até umas 20h.
  • Passagem de ônibus: compre sempre antes em alguma tabaccheria ou em uma banca de revista, é sempre mais barato. O bilhete a bordo é sempre mais caro.
  • Vai andar de trem? Não esqueça de validar os bilhetes!
  • Quer experimentar uma pizza? Em Roma você vai encontrar… pizza romana. Mas existem, sim, algumas pizzas napolitanas. Perto do Vaticano você encontra uma pizzaria napolitana ótima, a PummaRe’. A pizza romana também é maravilhosa e aqui vão algumas dicas: Ai Marmi (só abre de noite), Da Baffeto e Sforno.

E por último (e não menos importante), não pense que a Itália é perigosa. Não é! Existe batedor de carteira e roubo, mas você não será assaltado. Existe, também, vendedor ambulante nas ruas, mas eles não são perigosos! Responda no, grazie e saia andando. Ah, e também jamais acredite em alguém que diga que italiano é mal educado. 

Grazie mille!

Observação importante: todas as fotos foram tiradas por mim 🙂 

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