Destinos Nacionais

Roteiro de 2 dias em Ouro Preto – MG

12 de maio de 2016

A história da charmosa cidade de Ouro Preto data entre 1693 e 1698. Os bandeirantes que dirigiam-se à terra do ouro procuravam um tipo de ouro negro, encoberto por uma camada de óxido de ferro. Ainda que charmosa a cidade é marcada por períodos de exploração de riquezas e trabalho escravo. Sem dúvidas um importante cenário da história do Brasil.

Praça Tiradentes

Praça Tiradentes

Em primeiro lugar: leve roupas e sapatos confortáveis para caminhar pelas ladeiras de Ouro Preto. no primeiro dia de passeio eu fui de havaianas e me dei mal. Mais uma dica que eu gostaria de ter feito e não fiz: visite Mariana caso tenha mais tempo. A cidade também é lindinha e com pontos incríveis de conhecer, além de existir a possibilidade de ir ou voltar de lá com a Maria Fumaça, locomotiva de 1949. As duas cidades ficam a aproximadamente 15 quilômetros uma da outra e de trem dá cerca de uma hora.

Dia 1: Chegada em Ouro Preto e muitas igrejas!

Como chegar em Ouro Preto? 

A maneira mais fácil é descer nos aeroportos de Belo Horizonte e ir de ônibus. O Aeroporto de Confins sempre tem passagens mais baratas, mas uma promoção pro Aeroporto da Pampulha também rola de vez em quando. Dentro dos próprios aeroportos são oferecidos os transportes para a rodoviária. Aqui nesse link tem a tabela de preços e destinos. Quando eu fui desci em Confins e peguei o ônibus convencional que custa 12 reais, o trajeto dura uns 45 minutos. A rodoviária é gigante mas fácil de se localizar e várias empresas fazem o trajeto. Os ônibus de BH para Ouro Preto saem de hora em hora das 6h às 23h e custam 35 reais o trecho; o trajeto dura umas duas horas. Para voltar de Ouro Preto à BH os ônibus saem das 6h às 21h e o preço é o mesmo.

Chegando na rodoviária de Ouro Preto você pode pegar um táxi para chegar ao seu local de hospedagem ou pegar o ônibus de linha, foi o que eu fiz. O ônibus logicamente é mais barato e pra quem não tem problemas em pedir informações é só perguntar para qualquer local qual linha se pega para chegar no seu destino (particularmente achei as pessoas muito simpáticas e prestativas). Não pegue o ônibus se a sua mala for grande e de rodinhas, de qualquer maneira será necessário caminhar por alguma ladeira depois de descer do ônibus.

Sempre quando eu visito cidades menores acho legal perguntar para os próprios donos da pousada e afins onde comer comida típica, uma das partes de conhecer bem a cidade. Depende muito de onde você ficará hospedado, mas ao redor da Praça Tiradentes há diversas lojinhas, restaurantes e lugares para se hospedar – e muitos dos passeios também são ao redor da praça.

Praça Tiradentes e seus arredores

Para onde ir primeiro? 

Conheça a Praça Tiradentes! Há diversos guias turísticos e o próprio Centro Cultural da cidade onde você pode contratar os guias, que valem muito a pena pra quem é louco por história. Um dia de passeio guiado sai em torno de 150 reais, incluindo diversas igrejas e pontos turísticos e alguns também levam para as minas de ouro. No grupo que eu estava nós optamos por não contratar, mas numa próxima vez eu pensaria seriamente em fazer as visitas guiadas.

O Museu da Inconfidência (esse da foto acima com relógio) é realmente incrível e não dá pra sair de Ouro Preto sem ir conhecer. Sugiro que comece por ele, pois é um dos passeios que mais demoram e ele leva a todos os outros. O museu foi construído por escravos entre 1785 e 1855, e Tomás Antônio Gonzaga denunciava este tipo de trabalho. A construção renascentista funcionou como Câmara Municipal por 25 anos, depois foi transformada em penitenciária e, em 1938, já abandonada começou a ser restaurada para servir de museu. Seu acervo contém mais de quatro mil peças e representa a formação social brasileira desde o Séc. XVIII.

A visitação é aberta de terça a domingo das 10h às 18h, e a venda de ingressos funciona até às 17:20h. O ingresso inteiro custa 10 reais e a meia entrada 5, para idosos e estudantes. Crianças até 7 anos não pagam. Há guarda volumes e acessos facilitados para pessoas com necessidades especiais, com guias que adaptados e folhetos em braile.

Dica de almoço: Restaurante Contos de Réis. É um pouco caro mas vale a pena investir em comida boa 🙂

Próximas paradas: muitas igrejas!

1: Igreja de São Francisco de Assis (Igreja do Aleijadinho): a igreja foi construída no estilo barroco e decorada com peças no estilo rococó (o arco no seu topo demonstra a quantidade de detalhes deste período). É famosa por ter sua fachada e seus relevos projetados por Aleijadinho (Antônio Francisco Lisboa, importante escultor, arquiteto e entalhador do Brasil colonial) e começou a ser erguida em 1765 para ser terminada quase em 1800. Além disso, a nave teve seu teto pintado pelo Mestre Ataíde, pintor e decorador mineiro.

2: Igreja de Nossa Senhora do Carmo: a igreja também é importante exemplar da cultura rococó no Brasil e é  monumento tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Sua construção foi devido a vinda dos irmãos terceiros da Ordem do Carmo do Rio de Janeiro para a antiga Vila Rica, atual Ouro Preto. Sua construção foi iniciada em 1756 e interrompida inúmeras vezes até 1780, quando pode ser finalizada. O caminho até a igreja é bem bonito e também há um jardim nos seus fundos.

Antes de continuar o passeio não esqueça de comer! Pode parecer brincadeira mas nessa de ficar pulando de igreja em igreja a fome se manifesta de repente… É bom levar lanchinhos na bolsa ou mochila e não deixe de parar numa casa de pão de queijo para um bom café da tarde. Se você ainda não tem uma bolsa/mochila pra levar na viagem, a gente recomenda a Me Voy – mochilas e bolsas artesanais super lindas!

3: Igreja Nossa Senhora da Conceição: infelizmente, quando fui estava fechada para reforma. Felizmente, no caminho para a igreja um morador decidiu nos levar até a Mina do Chico Rei e foi uma experiência incrível. A igreja é do período barroco e está localizada entre duas praças: a Praça Barão de Queluz e a Praça Tiradentes. Sua construção foi iniciada em 1699 e, em 1727, foi iniciada uma nova edificação sob os cuidados do pai de Aleijadinho, Manuel Francisco Lisboa. Para chegar à mina basta caminhar cerca de 5 minutos para baixo da rua da igreja.

Vá preparado para se sujar. Não aceite entrar sem capacete e sem guia (chegamos depois do horário mas o proprietário deixou entrar com dois moradores da casa que fica no mesmo terreno). A mina é menos iluminada do que parece na foto e pode ser um pouco assustadora pelas histórias contadas. Os escravos tinham de passar por esses corredores estreitos com quilos de ouro nas costas e também é daí que nasce a expressão “encher o bucho”- os buchos são os buracos nas paredes de terra que os escravos deviam encher de ouro para ganhar sua “recompensa”.

Chico Rei faz parte de uma lenda de Ouro Preto, representando a liberdade e a luta contra a escravidão. Esta mina foi comprada por Major Augusto em 1740, juntamente com um lote de escravos vindos do Congo, entre eles estava Chico Rei. Ele e seu filho, segundo a lenda, escondiam ouro da mina nos cabelos e eram acobertados por alguns religiosos, e após alguns anos acabaram comprando suas alforrias. Major Augusto, no final de sua vida, vendeu a mina para Chico que veio a libertar os escravos.

O local possui 80 quilômetros quadrados, cinco andares, e grande parte ainda está sendo estudada e mapeada por estudantes de geologia. Somente os primeiros 50 metros da mina são abertos para visitação das 8h às 17h, com preços diferentes para cada tipo de passeio.

Outras igrejas para visitar: como são realmente muitas igrejas resolvi selecionar algumas outras principais, pois é impossível conhecer todas em 2 dias. Geralmente todas funcionam das 08:30h até as 17h e algumas fecham entre meio dia e 13h. Nenhuma abre nas segundas-feiras.

-Matriz de Nossa Senhora do Pilar: é a segunda igreja com maior quantidade de ouro no Brasil, cerca de 400 kg. A entrada custa 6 reais.

-Capela do Nosso Senhor do Bonfim: ao contrário dos outros monumentos retrata a simplicidade também existente na época.

-Igreja São Francisco de Paula: localiza-se no alto do Morro da Piedade e é considerada a igreja dos escravos. Sua construção data de 1804.

No final do dia você provavelmente vai querer tomar um banho (especialmente se você é brasileiro) e sair para comer algo. Eu super indico o Chopp Real, restaurante e bar pertinho da Praça Tiradentes. Dá para aproveitar a dois ou em galera, com mesas na rua ou dentro do restaurante. O chopp é bom mesmo!

Chopp Real Restaurante e Bar

Dia 2: Museus e feirinha!

Se o seu hostel/hotel/pousada não tem café da manhã é uma boa ideia sair para comer um pão de queijo recheado acompanhado de um café. Na Hamburgueria e Pão de Queijo Gourmet é tudo uma delícia! Além de café da manhã também dá pra tomar café da tarde ou jantar algo mais rápido lá. O lugar é super fofo e fica perto da Praça Tiradentes.

Hamburgueria e Pão de Queijo Gourmet

No segundo dia você pode começar pelo Museu Casa dos Contos, que é pertinho da Praça Tiradentes. Sua construção é de 1782 e faz parte da cultura barroca representando o ciclo do ouro no Brasil. Antigamente serviu como Casa dos Contratos, esconderijo para os membros da Inconfidência Mineira e prisão para os inconfidentes de alto escalão social. Também funcionou como Casa da Moeda, Secretaria da Fazenda e, finalmente, em 1973 foi transformado em Centro de Estudos do Ciclo do Ouro, de Minas Gerais e do Brasil. As visitações ocorrem segunda-feira das 14h às 18h; terça-feira a sábado das 10h às 17h; domingo e feriado das 10h às 15h. Entrada franca.

Caso seja perto do almoço há um restaurante do ladinho do Museu, de nome O Passo – serve comida mineira e é num antigo casarão. Enfim, continuando o passeio… Teatro municipal – Casa da Ópera! Para chegar no teatro basta caminhar cerca de 5 minutos em direção à Igreja Nossa Senhora do Carmo (inclusive dá pra aproveitar e visitar caso não tenha dado tempo no dia anterior).

De acordo com o Guinness Book este é o mais antigo teatro em funcionamento das Américas. Construído em 1769 e inaugurado em 1770 por João de Souza Lisboa representava, à época, a pompa e a glória da elite da sociedade luso-brasileira. Além disso, no ano de sua inauguração duas mulheres apresentaram-se no palco – algo muito raro e revolucionário que desencadeou uma tradição de elencos mistos na cidade e região. Sua entrada simplista esconde a surpresa que se encontra no interior da construção – com três pisos distintos, um nobre camarote, cadeiras austríacas e apenas 300 lugares. A portaria funciona de segunda a sábado das 12h às 18h e domingo das 12h às 16h. Entrada franca.

Penúltima parada: feirinha artesanal de pedra sabão 🙂

Dificilmente você vai passar por todos os passeios e não parar na feirinha antes mas a dica é deixar para o segundo ou último dia pelo risco de quebrar o que você comprou. Tem tanta coisa que deixa qualquer um/a encantado/a. Quando fui, comprei um jogo de dominó decorativo em pedra sabão, prato de parede (aqui em casa colecionamos), peso para livros, pulseiras e brincos de pedrinhas locais e chaveiros com folhinhas de ouro dentro. Os preços são bem negociáveis e quem está lá vendendo personaliza na hora as artes… é só pedir pra embrulhar bem pra viagem e acomodar entre as roupas na mala que não tem erro, o que fica ruim é passar o dia carregando sacola com peso que quebra! Vale a pena passar o entardecer na feirinha, é tudo muito lindo ali na volta e o céu tem uma cor diferente.

Dica rápida de hospedagem: o grupo que eu estava ficou todo no hostel O Sorriso do Lagarto – o dono já morou em vários lugares do mundo e tem histórias pra um dia inteiro. A localização é ótima, tem quartos compartilhados e pra casal… só os banheiros do quarto de casal não eram bons, então acabamos usando os compartilhados mesmo. Uma opção mais bacana é ficar em pousadas, como a Pousada Clássica e a dos Contos, ambas no centro e a Pousada Horto dos Contos, um pouco mais afastada (pra quem procura sossego). Os preços variam de acordo com a temporada mas pelo nome é só jogar nos principais sites (Booking e Trivago) que dá pra encontrar fácil.

Se você for no verão ainda tem como acrescentar um passeio nas cachoeiras com qualquer guia turístico… como fomos em julho nem teria graça e vai um dia inteiro para conhecer as quedas d’água. Além disso, tem muitos outros museus pra conhecer, a Casa do Aleijadinho, igrejas além das mencionadas e cafés e bares espalhados pela cidade (até por ela ser universitária tem pra todos os gostos e opiniões).

Tchau Ouro Preto...

Tchau Ouro Preto...

Até a próxima! 

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